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RICARDO LEITÃO PEDRO

dom. 13 de Setembro 17h30
Igreja de Estômbar (Entrada Livre)

Ricardo Leitão Pedro é um dos raros músicos de hoje dedicados à prática histórica de canto al liuto, acompanhando-se com diferentes instrumentos antigos de corda dedilhada. Nascido no Porto em 1990, tomou o alaúde aos dezoito anos e estudou voz e alaúde no Porto (ESMAE), Lyon (CNSMD) e Basileia (Schola Cantorum Basiliensis). Membro dos ensembles Concerto di Margherita e I Discordanti com os quais mantém um calendário intenso pelos palcos europeus, é regularmente convidado a colaborar com outros ensembles e orquestras tanto enquanto cantor como alaúdista. O primeiro álbum de Ricardo Leitão Pedro, “Fantasticaria”, dedicado à música de Bellerofonte Castaldi para voz e teorba, foi editado em formato independente em 2020.


WAILING MUSE
canções e fantasias

John Dowland's PILGRIMES SOLACE (1612)

RICARDO LEITÃO PEDRO
voz e alaúde
Tho. Campiani Epigramma de instituto Authoris.

“Famam, posteritas quam dedit Orpheo, Dolandi melius Musica dat sibi, Fugaces repriments archetypis sonos; Quas & delitias praebuit auribus, Ipis conspicuas luminibus facit.”

Thomas Campian sobre John Dowland (“First booke of songs or ayres”, 1597)

JOHN DOWLAND é reconhecido hoje como um dos grandes alaúdistas e compositores de canções na história da Grã- Bretanha, junto com Henry Purcell e Benjamin Britten. Respeitado desde cedo como venerando mestre alaúdista, a sua fama alastrou-se a nível europeu com a publicação do primeiro livro de songes or ayres (1597), seguido do segundo (1600) e do terceiro (“...and last booke “) em 1603, todos sendo objecto de várias re-impressões.

A importância de Dowland na história da música está no papel que teve na criação do que viria a ser o género de lute- song inglês, absorvendo elementos de baladas populares, danças, canções de consort (grupo de violas da gamba) e do madrigal italiano. O formato inovador utilizado no seus livros, destinados a ser dispostos sobre uma mesa ao redor da qual os músicos poderiam ler a música da mesma folha, infuenciou todas as colecções de canções publicadas posteriormente. A melodia escrita junto à tabulatura (tipo de notação musical para instrumentos dedilhados e outros) convida à performance solística do cantor que se acompanha a si mesmo no alaúde, numa tradição que remonta à mitologia grega na fgura de Orfeu (citado no epigrama de Thomas Campian acima) e aos cantaredi da Idade Média italiana.

Apesar da sua fama em vida e até aos dias de hoje, pouco sabemos acerca do local de nascimento deste “Orpheu Britannicus” (apelidado assim por um contemporâneo) nem é certo sequer que tenha nascido em Inglaterra. O compositor não foi chamado a servir em terras de Sua Majestade até aos últimos anos da sua vida, tendo-a passado maioritariamente ao serviço de diversas casas nobres no continente, sobretudo viajando com o séquito do rei Cristiano IV da Dinamarca. A sua fé católica e envolvimento mais ou menos inadvertido com alegados traidores da Coroa Britânica poderá ter contribuído para esta situação da qual se lamentou toda a vida, tendo-se apresentado diversas vezes à consideração para vagas entre os músicos da corte, sempre sem sucesso.

Felizmente para nós, um último livro veio a ser publicado em 1612, A Pilgrimes Solace, aos 50 anos de idade de Dowland, segundo o próprio declara no prefácio. Nesta derradeira obra, o espírito dramático inspirado pelas novas tendências em Itália (como a Camerata Fiorentina de Bardi e compositores como Caccini, ele próprio cantor-alaúdista) e o contraponto de expressão arrojada e directa dos diferentes afectos é mais presente que nunca em Dowland, abrindo caminho para todo uma geração vindoura de orphei , britânicos e não só, criada à sombra do mestre semper Dowland, semper dolens (“sempre Dowland, sempre triste”).

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